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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Uma reflexao sobre a educação e permissividade baseado nos filmes Elena e Precisamos falar sobre Kevin



Elena,( trailer) produção russa de 2011, não é nenhum filmaço. É um filme bom, sem sair da forma "estilo europeu". Um drama de poucas palavras e muitas atuações.


O que vale ressaltar no longa é o atributo da permissividade materna. Vou alongar e fazer um paralelo com outro filme, desta vez um filmaço "Precisamos falar sobre Kevin" (trailer). Os dois tratam desse  mesmo assunto: Educação e permissividade.


Pais que se vendam para não se defrontarem com o produto do seu descaso enquanto educadores, que preferem fingir que nada está acontecendo a tomarem uma atitude limitadora. Colcar-se na função paterna ou materna requer um olhar para si, para suas qualidade e defeitos, sabendo proteger quando de fato há necessidade, mas sabendo delimitar e implantar esse lugar do outro- filho-. Não é por menos que Freud, já em 1914, utilizava a expressão Sua majestade, o bebê, ou seja, os pais querem recuperar o narcisismo que vivenciaram em sua infância mediante a idealização de seus filhos.

Tema atualíssimo se pensarmos que indiscutivelmente hoje os pais precisam deixar seus filhos aos cuidados de terceiros e de uma forma compensatória, até mesmo por culpa, nos momentos que estam com seus pimpolhos acabam deixando passar aquelas situações que mereceriam  uma intervenção mais firme. De boba a criança não tem nada e ela entende a mensagem transmitida pelos pais, ou seja, "posso fazer tudo que nada irá me acontecer" Perceba essa situação ao lado, o reponsável diante desta cena, preocupa-se em registrar o momento enquanto a criança se diverte com a sua obra de arte. O que a criança entende dessa atitude do responsável é que ela fez uma coisa legal que merece uma foto.  A criança começa a crescer formar a sua personalidade e quando os pais se dão conta, muitas vezes não conseguem mais controlar a situação. Estão defrontes a uma criança rebelde, desobediente que causa um transtorno para as relações familiares. Culpa da criança?

Mas terceirizar a educação dos filhos não é crime de abandono de menor e muito menos os pais devem se culpar por isso. Alguns anos atrás existia sim uma corrente de culpabilização para pais com esse perfil. E coitada das mães que se sentiam obrigadas a abandonar suas carreiras em função dessa pressão social. Acabavam nem sendo boas mães nem boas esposas tamanha a frustração. Se destinar 24 horas do seu tempo a educação de filhos fosse a receita da educação perfeita, convenhamos que teríamos hoje uma sociedade harmoniosa, com índices de criminalidade baixos, pessoas com senso de cidadania, dentre outros benefícios.
É mito dizer que existe uma educação perfeita, uma fórmula mágica. Enquanto pais, os adultos também têm suas mazelas que se não reconhecidas por eles e  tratadas podem vir a serem reproduzidas pelos filhos e ai a cadeia se perpetua. Não se trata de genética, mas sim do que a criança percebe na linguagem verbal e  não verbal dos pais. Como falei anteriormente, os pais não precisam dizer aos filhos que não irão repreendê-los por uma situação que caberia tal medida, mas os filhos “lêem" a ação dos pais através de sua  simbologia e acabam aproveitando-se dessa "debilidade pontual".  Por outro lado, nenhuma criança nasce sabendo mentir; ela aprende observando que a mentira pode ser compensatória, seja porque toda vez que fala a verdade ela não "ganha nada com isso", ao contrário, ganha uma repreensão,  seja porque percebe que os pais falam mentirinhas inocentes para se safarem de situações.

Precisamos falar sobre Kevin trata da situação pelo viés da criança, enquanto Elena nos presenteia com essa situação já instaurada, sendo vista pelo viés dos pais, no caso, a mãe, culminando ambos na incapacidade egóica de assumir a sua função materna.

Adianto que ambos os finais são trágicos e evidentemente trata-se de uma ficção. O fundamental é que
Se 1+1+1= 3; logo,  FUNÇÃO PATERNA+ FUNÇÃO MATERNA + CRIANÇA deve ser igual a 3 personalidades distintas e cada qual sabendo o seu devido lugar na família e na sociedade.

Você pode ser um responsável exemplar, taxativo nos momentos oportunos, amoroso, acolhedor, mas não necessariamente estará isento de ter filhos com problemas comportamentais. Somos produto de traços que nos identificamos, mas sempre cabe aos responsáveis assumirem a função que escolheram para si: SEREM PAIS.

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